Ano II N° 1189,  Maceió, 12/07/2011   




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12/07/2011

Irmã de Mirella sequestrada por "Pagão"

 REDAÇÃO

DENIS MELO
REPÓRTER

O delegado geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, em entrevista exclusiva à reportagem da Tribuna Inde- pendente, disse que Alexandre Cardoso da Silva, "Júnior Pagão" é acusado de se envolver na ex- torsão mediante sequestro de Marcela Granconatto, irmã de Mirella Granconatto, acusada no assassinato da universitária Gio- vanna Tenório. O crime de se- questro ocorreu em Rio Largo, em 2005, na época em que Ba- renco comandava a delegacia lo- cal.

De acordo com o delegado, a ví- tima, ao ser ouvida por ele em de- poimento, afirmou que estava no ca- tiveiro quando teria chegado ao local um homem de estatura mediana usando balaclava, calça cáqui e ca- misa de listras. Ainda de acordo com a vítima, o homem tinha uma de- ficiência física em um dos ombros e, a partir dessa característica, o de- legado desconfiou se tratar de 'Jú- nior Pagão', porém, o depoimento re- presentava muito pouco como pro- va. Na tentativa de conseguir maio- res indícios, Barenco teria consegui- do com a Justiça local um mandado de busca na casa de 'Pagão'". Du- rante o cumprimento do mandado o delegado encontrou, na casa do acusado, não só balaclava, mas a calça e a camisa citadas pela ví- tima. O material apreendido na casa de 'Pagão' foi levado à Marcela, que reconheceu as peças como sendo aquelas vistas no cativeiro.

PRESSÃO

Na época, os irmãos 'Junior Pa- gão' e 'Jorge Pagão' estavam soltos. Jorge teria procurado Marcela e pressionado a mudar o depoimento contra seu irmão em juízo, o que acabou ocorrendo e atribuindo ju- ridicamente ao acusado o benefício da dúvida. O delegado Geral da Polícia Ci- vil de Alagoas, Marcílio Barenco, es- clareceu à reportagem da TI que nunca acusou os irmãos Alexandre Cardoso da Silva e Jorge Cardoso da Silva, conhecidos como 'Júnior Pagão' e 'Jorge Pagão', de coman- darem grupo de extermínio. De acordo com o delegado, a afirma- ção foi feita por uma testemunha, identificada como Luiz Alexandre da Silva, que se refugiou na dele- gacia temendo ser assassinado. Luiz Alexandre afirmara que os dois acusados já haviam cometido mais de trinta assassinatos e resolveu ajudar a polícia com a delação de crimes praticados pelos irmãos.

'ANJOS DA NOITE'

Barenco lembrou que o nome 'Anjos da Noite', dado ao suposto grupo de extermínio, na época em que respondia pela 12ª Distrital, teria sido criado pelo ex-prefeito de Rio Largo, Mário Torres. Também não te- ria havido qualquer procura por par- te de 'Jorge Pagão', pelo delegado Barenco até por que ele teria pas- sado seis meses foragido e a acu- sação aos irmãos 'Pagão', teria sido feita pelo Ministério Público. A Jus- tiça Pública é quem está levando os acusados a júri popular. Marcílio Barenco destacou que os irmãos 'Pagão' foram condenados a 23 anos de reclusão por um dos crimes praticados na cidade, onde eles figuram como autores intelec- tuais, e Ricardo Marchante como au- tor material. "O objetivo deles é des- qualificar meu depoimento, porque sou testemunha do caso e de outros crimes nos quais também são acu- sados; o Jorge também foi conde- nado a 13 anos de reclusão por prá- tica de incêndio doloso, supressão de documento público e formação de quadrilha", afirmou. Com relação às ligações com o ex-deputado Gilberto Gonçalves e o ex-deputado Francisco Tenório, Ba- renco disse que Gilberto Gonçalves e a esposa foram indiciados em inqué- rito por ele. E com relação a Fran- cisco Tenório sua relação é apenas funcional, isso por se tratar de um delegado de polícia.

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